
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central começou nesta terça-feira (3) a penúltima reunião de 2026 e anuncia na noite desta quarta-feira (4) a decisão sobre a taxa básica de juros, a Selic, hoje em 13,75% ao ano. Depois de um ciclo de cortes iniciado no começo do ano, a maior parte do mercado passou a apostar em uma pausa.
A virada nas expectativas aconteceu em poucos dias. Segundo levantamento citado pelo Brasil 247 com base no mercado de opções da B3, a probabilidade de um novo corte caiu de 76% para 26%. Instituições como Itaú BBA e BV projetam manutenção em 13,75%, e a Warren Rena revisou a aposta de corte de 0,25 ponto para estabilidade, de acordo com a Forbes. Ainda há quem veja espaço para uma última redução de 0,25 ponto, o que levaria a taxa a 13,50%.
Os principais fatores citados por analistas são o câmbio e a inflação. O dólar, que estava perto de R$ 5 antes do resultado da eleição presidencial, passou a oscilar entre R$ 5,35 e R$ 5,50. O IPCA de setembro subiu 0,82%, e a inflação em 12 meses chegou a 4,58%, acima do teto da meta (4,5%). A prévia de outubro, o IPCA-15, avançou 0,32%, com alta acumulada de 4,62% em 12 meses.
O Boletim Focus desta semana, já detalhado pelo Noticio, reforçou o cenário: a projeção para a Selic no fim de 2026 subiu de 13,25% para 13,50%, e a de 2027, de 11,75% para 12,50%. Entre as respostas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana para esta reunião já é de 13,75%, ou seja, manutenção.
Do lado político, parlamentares da base do governo intensificaram as críticas aos juros altos às vésperas da reunião, segundo o Jornal do Comércio. Já analistas do mercado argumentam que a alta do dólar e a piora da percepção de risco fiscal limitam o espaço para novas reduções.
A Selic serve de referência para os juros de empréstimos, financiamentos e cartão de crédito, e também para a rentabilidade de aplicações como Tesouro Selic, CDBs e fundos de renda fixa. Uma pausa mantém o crédito caro por mais tempo, mas preserva o retorno da renda fixa. O comunicado do Copom costuma sair no início da noite, depois do fechamento do mercado; a última reunião do ano está marcada para dezembro.
Fontes: Forbes Brasil, Seu Dinheiro, Brasil 247, Jornal do Comércio.