
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira (5) sua renúncia ao cargo. Em mensagem gravada e divulgada nas redes sociais, ele afirmou ter tomado a decisão "pela estabilidade" do país e pela "paz social". Segundo o jornal paraguaio ABC Color, a carta de renúncia assinada foi entregue ao Congresso pelo ministro do Interior, Enrique Riera, poucos minutos depois do anúncio.
A saída acontece no auge da crise provocada pela liquidação do Ueno Bank, banco digital com cerca de 3 milhões de clientes em um país de pouco mais de 6 milhões de habitantes. O Banco Central do Paraguai (BCP) suspendeu as operações da instituição e congelou saques, transferências e depósitos, como o Noticio mostrou nesta quarta-feira (4). De acordo com o BCP, o índice de solvência do banco caiu abaixo da metade do mínimo exigido.
Por que Peña ficou pressionado. O presidente foi acionista da Ueno Holding até março de 2025 e, em 2023, nomeou para o comando do Banco Central o então principal executivo do banco, Carlos Carvallo, que deixou o cargo nesta semana, segundo o argentino La Nación. Deputados da oposição e dissidentes do governista Partido Colorado protocolaram um pedido de juízo político contra Peña e o vice, Pedro Alliana, alegando mau desempenho de funções e conflito de interesses. O ex-presidente Horacio Cartes, líder do Partido Colorado, anunciou apoio ao processo. Peña não comentou as acusações em sua mensagem.
O que acontece agora. O Congresso precisa aceitar formalmente a renúncia em sessão conjunta. Pela regra constitucional, o vice-presidente Pedro Alliana assume para completar o mandato, que termina em 2028. Na Câmara, o pedido de juízo político contra Alliana foi rejeitado por 48 votos a 30. Parte da oposição, porém, diz não aceitar a renúncia: a senadora Esperanza Martínez argumenta que a saída garantiria a Peña uma cadeira vitalícia no Senado, com imunidade.
E os clientes do banco? Antes da renúncia, Peña promulgou uma lei que antecipa o pagamento do Fundo de Garantia de Depósitos. A cobertura é de até 228,3 milhões de guaranis (cerca de US$ 38 mil) por pessoa, e os primeiros repasses devem ser de até 10 milhões de guaranis, segundo o BCP. Oito executivos e diretores ligados ao banco foram detidos.
O caso lembra a destituição de Fernando Lugo, em junho de 2012, quando o Senado paraguaio afastou o então presidente em cerca de 48 horas e o vice, Federico Franco, assumiu o cargo.