
O Partido Democrata conquistou o controle das duas casas do Congresso dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato realizadas nesta terça-feira (3). Com a apuração ainda em andamento nesta quarta-feira (4), a sigla soma pelo menos 54 das 100 cadeiras do Senado e mais de 218 dos 435 assentos da Câmara dos Representantes, número necessário para a maioria, segundo as projeções divulgadas pela imprensa americana e compiladas pela RTP e pela Forbes.
Antes da votação, os republicanos tinham 53 senadores e uma maioria estreita na Câmara. O resultado muda o equilíbrio de poder em Washington para os dois anos finais do mandato do presidente Donald Trump: a partir de janeiro, quando os eleitos tomam posse, projetos de lei, orçamento e investigações do Legislativo passam a depender da maioria democrata.
Os democratas tomaram cadeiras em estados tradicionalmente republicanos ou divididos. No Texas, James Talarico venceu Ken Paxton, que tinha o apoio de Trump. No Kansas, Adam Hamilton derrotou o senador Roger Marshall e se tornou o primeiro democrata eleito senador pelo estado desde 1932. Também houve viradas em Ohio (Sherrod Brown), Iowa (Josh Turek), Carolina do Norte (Roy Cooper), Carolina do Sul (Annie Andrews) e Maine, onde a republicana Susan Collins reconheceu a derrota para Troy Jackson. Em Michigan, Abdul El-Sayed foi eleito e deve se tornar o primeiro muçulmano no Senado americano. Os republicanos mantiveram a cadeira da Flórida, com Ashley Moody. Alasca e Mississippi ainda não têm resultado definido.
Trump afirmou estar "absolutamente disposto" a aceitar o resultado e a trabalhar com os democratas, mas disse que vai usar o veto contra propostas da oposição. Segundo a RTP, ele atribuiu as derrotas "em parte" à guerra com o Irã e negou que a votação tenha sido um julgamento de seu governo, lembrando que não era candidato. O presidente da Câmara, o republicano Mike Johnson, disse estar desapontado e pediu que os democratas não transformem o Congresso em um "circo".
Do lado democrata, o líder no Senado, Chuck Schumer, disse que o partido venceu "contra todas as expectativas". Hakeem Jeffries, que pode se tornar o primeiro negro a presidir a Câmara se for eleito pelos deputados em janeiro, prometeu cobrar responsabilidades e votar rapidamente propostas sobre subsídios de saúde, tarifas de importação e a guerra com o Irã. Pesquisas de boca de urna citadas pela Forbes indicaram que o custo de vida foi o fator mais lembrado pelos eleitores.
Com o Congresso nas mãos da oposição, temas que afetam diretamente o Brasil, como as tarifas de importação impostas pelo governo Trump, podem ganhar novo debate no Legislativo americano. A posse dos novos parlamentares está prevista para janeiro de 2027. Na véspera da votação, o Noticio explicou o que estava em jogo.
Fontes: RTP, Forbes Brasil, Yahoo News.