
O fechamento do Ueno Bank, um dos maiores bancos do Paraguai, deixou milhões de clientes sem acesso às contas e afetou o comércio do país vizinho, inclusive na fronteira com o Brasil. O Banco Central do Paraguai (BCP) anunciou a intervenção na madrugada desta terça-feira (3), pouco depois das 3h, alegando crise de solvência: segundo o órgão, o índice da instituição caiu abaixo do mínimo exigido após ajustes no balanço.
O tamanho do banco explica o impacto. Segundo a Bloomberg Línea, o Ueno tinha mais de 2,9 milhões de clientes, num país de cerca de 6,1 milhões de habitantes, e processava mais de 3 milhões de transações por dia. Mais de 32 mil aposentados recebiam o benefício da previdência paraguaia (IPS) pela instituição. Com contas, saques, transferências e cartões do banco suspensos, clientes relatam dificuldades para pagar aluguel, transporte e compras. Houve aglomerações em agências, e a polícia entrou em alerta máximo.
O Fundo de Garantia de Depósitos paraguaio cobre até 228,3 milhões de guaranis (cerca de US$ 37,4 mil) por pessoa ou empresa. Segundo as autoridades, cerca de 97% dos correntistas têm saldo dentro desse limite. Um primeiro pagamento de até 10 milhões de guaranis está previsto, e a identificação de ativos e passivos deve levar até 15 dias. Valores acima do teto dependem de processo legal.
O Ministério Público do Paraguai abriu investigação e expediu mandados de prisão contra pelo menos oito pessoas ligadas ao banco, entre elas Miguel Vázquez, presidente do grupo controlador. O caso ganhou dimensão política porque o presidente Santiago Peña já foi investidor da holding do Ueno; segundo a Bloomberg Línea, ele vendeu sua participação em março de 2025. Os órgãos reguladores sustentam que o problema é isolado e não atinge o restante do sistema financeiro.
Em Ciudad del Este, vizinha a Foz do Iguaçu (PR), a agência do banco amanheceu fechada. A associação de importadores e varejistas Asimcopar estima que dois em cada três pagamentos eletrônicos nas grandes lojas passavam por contas do Ueno e fala em risco de "semiparalisia" do comércio às vésperas das vendas de fim de ano. Para quem cruza a fronteira para fazer compras, a orientação é que cartões de bancos brasileiros seguem funcionando normalmente; o problema atinge quem tem conta, salário ou economias no banco paraguaio e lojistas que recebem por ele.
Fontes: Bloomberg Línea, Gazeta do Paraná, Times Brasil.